GRO: ferramenta de gestão, não apenas compliance
Entre os profissionais que já adotaram a Gestão do Risco Operacional (GRO), há um consenso crescente: mais do que uma exigência regulatória, trata-se de uma poderosa ferramenta de gestão. Como o planejamento estratégico, a criação de valor ou a modelagem de negócios — conceitos que à primeira vista podem soar como modismo, mas que, bem aplicados, fortalecem decisões e pavimentam o caminho para os objetivos da organização —, o GRO tem muito a oferecer a qualquer empresa que leve a sério sua própria sustentabilidade.
No setor financeiro, sua adoção é amplamente disseminada, em grande parte por exigência dos reguladores. No Brasil, o Banco Central determina que as instituições financeiras mantenham estruturas dedicadas à identificação e ao gerenciamento de riscos operacionais. Mas o conceito vai muito além das fronteiras do sistema financeiro.
O que é, afinal, o risco operacional?
Risco operacional é o conjunto de erros e falhas que impactam a operação de uma empresa. Suas origens podem ser agrupadas em três grandes fontes:
Erros humanos, fraudes internas, falta de capacitação, descumprimento de procedimentos.
Falhas em sistemas, processos mal desenhados, ausência de controles, integração deficiente entre áreas.
Desastres naturais, ataques cibernéticos, falhas de fornecedores críticos, mudanças regulatórias abruptas.
Quando esses riscos se materializam, as consequências variam: retrabalho, perda de clientes, custos financeiros elevados e, nos casos mais graves, o próprio encerramento das atividades. Mais do que isso, riscos operacionais não gerenciados podem impedir que a empresa alcance seus objetivos — estratégicos, táticos ou operacionais. Por isso, quando bem implementado, o GRO não é apenas uma camada de proteção: é um acelerador de resultados.
A pergunta que muda tudo
Com todo o respeito à vasta literatura técnica acumulada sobre o tema ao longo de décadas, existe uma abordagem simples — mas surpreendentemente eficaz — que qualquer profissional pode adotar no seu dia a dia, independentemente de sua familiaridade com o tema.
Sempre que estiver desenvolvendo um novo produto, alterando um processo interno ou tomando uma decisão relevante, faça essa pergunta. Mais especificamente: o que pode ocorrer que vai impedir que o objetivo seja alcançado? Quais são as causas prováveis? E existem controles adequados para evitar que essas causas se materializem — ou, caso se materializem, para reduzir seu impacto?
É uma relação direta de causa e efeito, aplicável a qualquer contexto.
Dois exemplos, do simples ao corporativo
A lógica do GRO funciona em qualquer escala. Veja como a mesma estrutura de raciocínio se aplica tanto a uma situação cotidiana quanto a uma decisão empresarial relevante:
A lógica é a mesma. A escala é diferente. E o resultado — objetivos protegidos por controles proporcionais — é igualmente valioso nos dois contextos.
Seja seletivo — e seja realista
Um ponto fundamental: o GRO não é um exercício de paranoia coletiva. Avalie sempre o custo versus o benefício de cada equação risco-controle. Não vale a pena dedicar energia ao risco de um café derramado sobre a mesa.
A menos, claro, que você seja um arquiteto que ainda trabalha apenas com esboços em papel, sem nenhum backup dos seus projetos. Nesse caso, o que pareceria um risco trivial poderia ter consequências catastróficas — e o controle seria simples e barato: digitalizar os esboços.
Essa é a essência da seletividade em GRO: o contexto determina a relevância do risco. Foque nos riscos que realmente importam para os seus objetivos, monitore-os com recorrência e construa controles proporcionais à sua relevância.
Independentemente de sua empresa ter ou não uma área formal de GRO, qualquer profissional pode adotar essa mentalidade. Incorpore a pergunta "o que pode dar errado?" às suas reuniões de planejamento, revisões de processo e decisões relevantes. O hábito, praticado com consistência, é em si um controle poderoso.
É clareza.
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